3 Perguntas com o Inovador: Edivandro Conforto

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1) Quais as principais diferenças entre a gestão de um projeto inovador e um projeto de melhoria do dia a dia?

Destaco aqui algumas diferenças básicas, mas sem a intenção de esgotar esta lista que é longa.

Em projetos de melhoria, os requisitos, necessidades e a própria solução são, de certa forma, facilmente identificáveis. A tecnologia é conhecida. Isso facilita no desenvolvimento de um plano mais detalhado e com maior previsibilidade e foco na eliminação dos riscos. É possível desdobrar entregas em atividades e tarefas claras e criar uma rede de dependências. Uma vez definido o escopo do produto e projeto, as mudanças são controladas de forma que sejam evitadas ao máximo, isso porque o contrato já foi feito com o cliente, o custo e o prazo estão definidos. Em resumo, um projeto de melhoria é baseado em algo que já existe, portanto, há informação disponível, e em muitos casos, existe experiência prévia na organização de como se faz.

Em um projeto inovador as incertezas e riscos são muitos e não são facilmente identificáveis. Em muitos casos as necessidades ainda nem existem, os requisitos são emergentes e indefinidos. A mudança é uma constante e espera-se que muitas delas aconteçam durante a execução do projeto. Nesse tipo de projeto o risco de não dar certo é muito maior, porém a recompensa é também proporcional ao risco.

Em projetos de inovação, definir o escopo em detalhes é algo quase impossível. O escopo do produto é aberto. O desenvolvimento deve ser iterativo e o aprendizado do time precisa ser acelerado. Não há informações ou dados em quantidade e qualidade necessária para definir claramente o que será feito, ou como o trabalho será sequenciado. A evolução do escopo vai depender da capacidade de aprendizado do time de projetos, da interação com os diversos stakeholders, clientes e principalmente potenciais usuários. As mudanças são frequentes e requerem do time de projeto habilidades extras para que seja possível entregar resultados neste ambiente dinâmico e incerto.

Há muitas diferenças entre gerenciar um projeto de melhoria e um projeto inovador, e muitas organizações tentam de qualquer forma adequar o projeto ao processo e “mindset” vigente, que é utilizado para projetos de melhoria. Porém, as diferenças entre esses dois tipos de projeto permeiam desde a estrutura do time, processo e práticas, até a forma de interagir com clientes, alta gerência e o próprio posicionamento do projeto frente à estratégia da empresa.

 

 2) Quais as ferramentas e métodos para gestão de projetos inovadores os empreendedores e intraempreendedores devem ficar atentos como tendências relevantes para os próximos anos?

Descrevo a seguir três métodos e/ou abordagens que acredito serem tendências. Inclusive algumas já estão em demanda crescente nas organizações em todo o mundo.

“Visão do Produto”

O conceito de “visão do produto”, por exemplo, é muito poderoso em projetos de inovação, no qual o problema que se deseja resolver não está claro, há muitas variáveis desconhecidas e riscos. Deve focar inicialmente no problema que se deseja resolver. Uma visão do produto deve ser desafiadora e motivadora, concisa e clara para facilitar o entendimento dos diversos stakeholders e ajudar o time na identificação de potenciais soluções e concepções para o problema que se deseja resolver.

 Desenvolvimento iterativo.

O desenvolvimento iterativo (iteração ou também conhecida como Sprint) é uma das práticas mais utilizadas atualmente por empresas que adotaram o gerenciamento ágil como principal abordagem para conduzir projetos de inovação. De forma simplificada, trata-se de quebrar o desenvolvimento em ciclos de curta duração (entre 2 até 4 semanas). Neste período, o time planeja, detalha, prioriza e executa um conjunto de atividades e tarefas visando atingir um objetivo, um resultado, que poderá ser testado, verificado pelo cliente ou usuário ao final da iteração. Este processo acelera a entrega de resultados de valor e o aprendizado.

Design Thinking.

Design Thinking (DT) é uma abordagem para resolver problemas, gerar produtos e soluções inovadores centradas nas necessidades dos clientes e usuários. Possui características de um processo iterativo. Começa com a empatia, imersão no contexto do cliente/usuário, depois gera ideias, cria e testa protótipos, e por fim parte-se para a implementação. O DT tem sido utilizado em diferentes tipos de desafios dos mais diferentes calibres no nível de produtos, processos, estratégia e desafios sociais. Ou seja, pode ser uma abordagem para criar inovações em todos os níveis de uma organização pois é muito eficaz para promover a agilidade no aprendizado do time.

Esses três métodos e/ou abordagens podem ser combinadas pois compartilham diversas características que são úteis para acelerar o aprendizado e a entrega de resultados de valor em projetos de inovação.

O capítulo 3 do livro “Gerenciamento Ágil de Projetos – Aplicação em Produtos Inovadores” é dedicado exclusivamente a este conceito. 

 

3) Como um ecossistema de inovação suporta o surgimento de negócios inovadores?

Trabalhando por 2 anos nos Estados Unidos, em Cambridge, mais especificamente na região da Kendall Square, eu tive a oportunidade de conhecer de perto um ecossistema de inovação. Foi possível entender um pouco melhor alguns dos elementos fundamentais para seu desenvolvimento e expansão, e sua capacidade de fomentar novos negócios e inovações.

Atração e retenção de talentos.

Um ecossistema de inovação de sucesso deve ter a capacidade de atrair talentos e empreendedores inquietos que desejam criar suas empresas, produtos, tecnologia e, bem ao “pé da letra”, revolucionar o mundo! É isso que aconteceu e ainda está acontecendo no Vale do Silício. Na região da Kendall Square não é diferente. Vários alunos que se formam em universidades da região, como MIT e Harvard, estão construindo suas startups e muitos deles ficarão por lá.

Rede de empresas e networking.

Não se constrói um ecossistema de inovação com grande poder para gerar inovações com duas ou três empresas. Quanto mais empresas melhor, maior diversidade, melhor o networking e fluxo de ideias, possibilidades de parcerias. Isso é especialmente verdadeiro quando estamos falando de startups. A proximidade com outras empresas e empreendedores amplia sua visão sobre oportunidades, competências que estão ao seu redor e que podem ser usadas para inovar. Na Kendall Square existe uma explosão imobiliária movida pela demanda de salas comerciais para startups e escritórios de empresas de grande porte que estão se instalando e ampliando negócios na região.

Colaboração com universidades e centros de pesquisa.

Em Cambridge, região de Boston, encontram-se duas das principais universidades do mundo, o MIT e a Harvard, dentre outras. É uma região com alta concentração de pesquisadores, especialistas e muito conhecimento. A proximidade das empresas com essas instituições facilita a colaboração e a realização de projetos que irão fomentar a geração de novos produtos, serviços e tecnologia, e consequentemente novos negócios. As empresas acabam tendo contato com temas avançados de pesquisa e muitas acabam contratando pesquisadores, com formação avançada (doutorado, pós-doutorado) para trabalharem em projetos de inovação, bem como alunos que realizaram estágios.

Atração de capital de risco e investidores.

Isso é fundamental. Sem recursos é difícil inovar. Novos negócios exigem, em muitos casos, investimento de risco. Em qualquer projeto de inovação que se preze, o risco de dar errado é maior. Em ambientes como na Kendall Square e Vale do Silício é muito fácil ter contato com investidores e conseguir expor seu produto, ideia ou empresa. A proximidade ajuda bastante e a diversidade de investidores garante mais opções e aumenta as chances de conseguir um investidor.

 

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