A inovação aberta na prática: os aprendizados de uma experiência de crowdsourcing

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Innoscience

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Imagine que esteja no papel de um gestor e o seu projeto já consumiu mais de 40% do tempo e do orçamento, mas a solução que desenvolveu ainda não chega nem perto da condição satisfatória. O que fazer nesse caso? Como tornar o projeto mais eficaz quanto à solução proposta?

A resposta para tais questionamentos passa por uma mudança de paradigma da empresa fechada para a empresa aberta. Mas abrir o que pode se perguntar o gestor mais desconfiado? Abrir as fronteiras da empresa ao estímulo intelectual e contribuições práticas de novos públicos que não sejam somente os colaboradores. Por meio da oxigenação das ideias, esses novos públicos se engajam na resolução de problemas bem importantes para a empresa e despertam uma renovação de esforço e engajamento que promove uma mudança de cultura. O caminho para isso é variado e cheio de novos percalços, mas bastante promissor nos resultados a alcançar. O conceito de inovação aberta permite percorrer com mais firmeza esse caminho ao dispor de soluções como o crowdsourcing.

O crowdsourcing é uma rede de especialistas que são motivados para resolver problemas práticos do contexto empresarial. Quando bem direcionado esse esforço, essa rede de especialistas se torna automaticamente um público externo que se conecta ao esforço de inovação.

Em 2008, a Roche – gigante farmacêutica suíça –  submeteu internamente um questionário para descobrir de onde poderiam vir os meios para oxigenar as ideias e trazer inovações. A maioria dos 255 respondentes indicou a colaboração com outros agentes como solução. No entanto, a equipe responsável por essa experiência não sabia como realmente fazer isso na prática. Embuída de um senso de que esta deveria ser uma experiência a ser tentada para comprovar os resultados de que colaboração fazia diferença, dividiu os esforços da empreitada parte para uma rede interna de cientistas e outra parte para uma rede externa de cientistas. A rede interna de cientistas da Roche tinha 2.400 membros, que submeteram 40 propostas por parte de 419 interessados. Muitas propostas não tinham qualquer detalhamento, o que impossibilitava o reconhecimento de valor. Mas uma única proposta apresentava uma solução muito simples para o aumento da eficiência energética de um dispositivo portátil.

A outra parte do experimento sobre vantagens da colaboração buscou auxílio do crowdsourcing de um dos maiores brokers do mundo. Da rede da Innocentive – crowdsourcing broker –  a Roche recebeu 113 propostas de quase 1.000 inscritos no desafio de inovação aberta para a resolução de um problema que perdurava já 15 anos. A solução definitiva para um dispositivo clínico que imitasse os resultados de um aparelho eletrônico foi encontrada, sem muitas dificuldades. O que deixou os gestores responsáveis pela experiência de abrir a inovação da Roche para uma nova cultura foi a qualidade do detalhamento das propostas apresentadas, bem mais profundas do que aquelas apresentadas pela rede interna de cientistas da Roche, e a possibilidade de implantação de diversas delas.

O aprendizado da Roche pode ser estendido às demais empresas que desejarem enfrentar uma mudança de paradigma de inovação fechada para inovação aberta:

  • Arrisque uma experiência: a mudança de paradigma para inovação aberta pode ser feita por uma experiência inédita e o uso de crowdsourcing é a forma mais prática de ser bem sucedido;
  • Engaje o público interno: ao envolver os colaboradores como parte da experiência, o esforço empreendido pode ser comparado e os resultados serão avaliados com muito mais justiça. Desta forma, os colaboradores “compram” a ideia de que inovação aberta é um meio sólido de agregar valor nos projetos da empresa;
  • Não pare: o processo de incorporação de novas fronteiras colaborativas como o crowdsourcing não pode ser interrompido, para não correr risco de desmotivação e descrédito. Cada vez mais desafios de inovação devem ser propostos e comunicados internamente os resultados atingidos.
  • Não abandone seu P&D: uma premissa bastante errada é de que o crowdsourcing poderá substituir completamente os responsáveis pelas ações de P&D. Isto é uma falácia, pois, pelo contrário, o conhecimento interno é estimulado a continuar fazendo projetos de inovação cada vez mais desafiadores.
  • Responsabilize alguém para cuidar da inovação aberta: estruture uma área ou atribua responsáveis pelas iniciativas de inovação aberta. Mas mantenha sempre o alinhamento dessas iniciativas com o que vem sendo desenvolvido internamente para não ocorrer desperdícios de esforço e orçamento.

Ao partir para a mudança de cultura e abrir os projetos para a contribuição de públicos externos, o orçamento, o prazo e o escopo dos projetos podem atingir mais facilmente os resultados esperados. As economias e as sinergias atingidas são inegáveis.

Experimente!!!

Luis Marques