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A Posologia da inovação: Qual a dose certa de inovação?

Por

Innoscience

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Todas empresas precisam inovar, transformar novas ideias em resultado. O grande desafio é definir o quanto de inovação é necessário para a SUA empresa crescer, não ser ultrapassada pelos concorrentes nem jogar fora recursos escassos.

O primeiro passo é identificar os fatores que impactam a necessidade de inovação. O segundo é avaliar o comportamento desses fatores na sua realidade. E, por fim, dimensionar o quanto você precisa inovar dado a situação desses fatores.

A sua dose de inovação não será a mesma do Google, Apple ou mesmo de um concorrente no seu setor de atuação. Inovação na quantidade errada pode ser ruim, afinal “a diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem” como enfatizava Paracelso, pai da química moderna.

Nossa experiência de pesquisa e consultoria em gestão da inovação, atendendo 10 das empresas mais inovadoras do Brasil, permitiu identificar um conjunto de 4 fatores que determinam sua necessidade de inovação. Para ilustrar os fatores a serem avaliados na dosagem de inovação, utilizemos o setor de Hospitalidade como exemplo.

Clientes
Quanto mais homogênea, estável e conservadora for a sua demanda menor será sua necessidade de inovação. Se você está num mercado onde surgem novos segmentos de consumidores de alto potencial (classe média em viagens internacionais), onde os clientes mudam seu comportamento e prioridades (compra de produtos e serviços pela internet) e no qual os clientes se predispõem a pagar mais por uma solução nova (impacto de reviews positivos no preço de hotéis) sua dosagem será maior e mais frequente.

Competidores
Se você atua num setor maduro, no qual os concorrentes estão definidos e são pouco competitivos, sua dosagem será menor ou mais esporádica. Por outro lado, se existem baixas barreiras de entrada (portais para venda de passagens na internet), startups atacam o seu setor (Airbnb  e Uber) e até empresas de outras setores pretendem virar novos competidores (Google), será necessário inovar mais e melhor.

Descontinuidades
As mudanças tecnológicas, econômicas, sócio-ambientais e legais geram instabilidade para todas empresas. Abrem oportunidades para os inovadores e ameaças para os retardatários. Quando esse macro ambiente é estável e avança evolutivamente, a dosagem pode ser menor. Por outro lado, quando essas transformações são intensas e frequentes, como o caso no caso do turismo com o surgimento das mídias sociais, mudança abrupta do câmbio, elevação da viagem como instrumento de status social, entre tantas outras rupturas recentes, a dosagem precisa ser maior.

Desafios internos
O quarto fator é o único que ao invés de analisar aspectos externos, foca na própria empresa porque mesmo empresas de setores iguais tem necessidades de inovação distintas. Quando seu negócio ainda tem espaço para melhorar performance “arrumando a casa” não é preciso tamanha inovação, contudo, quando você está no limite da melhoria, precisará de inovações para ter saltos de performance. Cada ambição uma necessidade de inovação. Quando você é uma rede como Accor  ou Hilton, fatura mais de 5 bilhões de dólares, e pretende crescer 10% ao ano será necessário inovar para gerar novos negócios de mais de 500 milhões de dólares todo ano.

Avaliar sua situação sob esses 4 fatores, permite definir a posologia da inovação, a dosagem ótima, frequência e duração que viabilize atingir seus objetivos sem correr risco de ficar para trás nem de desperdiçar recursos. Quando seus clientes mudam, surgem novos e perigosos concorrentes, descontinuidades continuamente atingem seu setor de forma intensa e sua ambição é grandiosa, será preciso tratar a inovação como algo frequente, estratégico e estruturado. Ou não vai funcionar.

 

Até a próxima inovação,

Maximiliano Selistre Carlomagno.

 

Artigo originalmente publicado em ClicRBS