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A tempestade secreta do empreendedor

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O caminho do empreendedor é muito solitário. Como fundador de uma startup, então, mais ainda. Os recursos financeiros iniciais são de amigos e família. São eles que fazem você seguir adiante e sempre de forma positiva e feliz, transpirando sucesso, motivado, com gás, focado. Alegre e entusiasmado com o desafio de empreender. Isso faz com que as pessoas não saibam que você pode estar passando por uma tempestade, ou melhor, por vários tipos dela, como financeira e emocional, por exemplo. Aliás, todos os tipos de tempestades, quando se está empreendendo.

A gente sabe que essa coragem nem todas têm. Passar por essa “chuvarada”, uma mudança de vida, uma transição de carreira, traz a tempestade que nem todas as pessoas conseguem ver: A tempestade secreta. A empreendedora levanta de manhã, veste sua roupa, coloca sua maquiagem e aciona seu sorriso. Quando você passa por uma tormenta visível, as pessoas lhe assistem, lhe estendem uma mão. Mas, quando você passa por uma tempestade invisível, as pessoas não sabem e não conseguem fazer nada.

E quando as coisas começam parecer que estão indo num bom caminho. Não é sinal que a tempestade acabou, mas sim que está chovendo menos. As pessoas podem até ficar com inveja de você, que acorda às 5 horas da manhã, trabalha até as juntas do corpo doerem, a cabeça latejar e ainda está com o pagamento da parcela do carro atrasada em 3 meses. Eles invejam o seu primeiro cliente, sem saber que desde que você conseguiu esse contrato, não consegue nem mais dormir à noite, tamanho a preocupação em fazer dar certo. Você tem muita tensão e tanta pressão, que repente você está em mais uma tempestade, e ninguém nem ao menos consegue ver.

E é nesses momentos que a gente tende a achar que estamos realmente sozinhos. Mas não estamos. Olhe para o lado. Cada dia há mais pessoas empreendendo. E elas estão no mesmo barco que você, na mesma tempestade. Ou melhor, enfrentando as mesmas tormentas. Mesmo que a chuva esteja tão forte no começo, e que você não veja, e que eles não estejam falando com você no momento, lá estão eles, seus colegas empreendedores.

Foi por isso que, ao invés de falar sobre canais de distribuição e  formalização de vendas e descontos, eu resolvi falar do que eu aprendi como executiva contratando fornecedores, e agora como consultora negociando com empresas. Resolvi abordar como eu passo pelas minhas tempestades também. E abrir o espaço para que vocês empreendedores compartilhem entre si também.

 

Não foi sem receio, bem parecido com aquele momento em que você tem que fazer um follow-up num cliente. Fiz questão de compartilhar um pouco do que aprendi de compras e vendas com empreendedores no sábado passado, dia 24 de setembro, durante o primeiro Bootcamp do ciclo 2016.2, na regional de São Paulo.

 

Eu contei para eles que ia fazer uma coisa arriscada. Que não queria compartilhar apenas informações encontradas no google, e que ia ser histórias e dicas da vida real, casos de sucesso e insucesso. Contei da empresa que tinha 100 dias de funcionamento e o primeiro cliente queria pagar em 180 dias. Falamos sobre investidores, programas como shark-tank, sobre clientes corporativos difíceis e aqueles acolhedores.

Naquele sábado, durante o workshop de vendas, com cerca de 30 empreendedores presentes, pude ver nos olhos de cada um o reconhecimento do que eu contava. Compartilhei que, para mim, as negociações empresariais na verdade são negociações entre pessoas, e que o relacionamento conta muito. E que você tem que nutrir esses relacionamentos. Falei dos diferentes tipos de comunicação que podem se dar. Fiz dinâmicas para eles descobrirem conexões entre eles e criarem rappor. Propus perguntas que eles gostariam de saber respostas e para as quais, honestamente, também gostaria de saber, entre elas: como encurtar o tempo do lead para fechamento? Desenhei dinâmicas para que eles mesmos pudessem trocar entre eles o que havia funcionado até aquele momento.

Toda a vez que eu tenho a oportunidade de escutar um colega empreendedor, do privilégio de ele compartilhar comigo suas histórias e seus sonhos, eu saio mais feliz, mais rica e sinto que compartilhei um guarda-chuva na tempestade.

 

Carolina Wosiack

Artigo originalmente postado em Innovativa Brasil.

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  • http://www.plataformaempreendedor.com.br Marco Porfiro

    Carolina, parabéns pelo artigo, pois ele exprime a saga de muitas pessoas que hoje empreendem não só porque querem empreender, mas porque empreender se tornou a única opção viável. Diante de um país que penaliza empresários com uma carga de encargos na contratação via regime CLT, temos uma legião de pessoas que vivem também a tempestade de receber remunerações escorchantes com poucas perspectivas.