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Design thinking e planejamento estratégico. Casamento ou divórcio?

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Innoscience

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Muitas empresas partem do principio que conhecem muito bem seu contexto e de clientes. Assim juntam um grupo um grupo de executivos numa sala para tirar as ideias prontas que já estão no bolso e compilá-las gerando o que imaginam ser um plano de futuro adequado, um planejamento estratégico. É como casar com alguém que você conhece há pouco tempo, na onda da paixão pode dar certo, mas as chances são mínimas.

A incapacidade de compreender corretamente os stakeholders é um dos grandes erros que se pode cometer ao planejar o futuro.

O que ocorre hoje é: ao identificar um problema ou oportunidade, tende-se a gerar soluções antes que as verdadeiras necessidades, desejos, comportamentos e experiências dos stakeholders sejam compreendidas. É como reservar um final de semana na montanha para alguém que adora velejar.

É nesse ponto exatamente que se abre a porta de oportunidade para você usar o Design Thinking no planejamento estratégico de sua organização. Mas, você me pergunta por que eu deveria usar o Design Thinking para meu planejamento estratégico? Ofereço quarto boas razões para essa casamento dar certo:

» Conecta em profundidade com os consumidores inpirando os executivos

» Transforma insights em dados em ideias acionáveis para planos de futuro.

» Aborda novas oportunidades consistentement delineando claramente os benefícios para o usuário final

» Cria e implementa novas soluções com impacto nos negócios de maneira mais rápida e eficiente

É óbvio que esse processo se dará de uma forma mais fluída e suave se a inovação for um tema central no planejamento estratégico, ou se pelo menos for parte importante da aspiração da empresa. É quase como um contrato pré-nupcinal bem feito: as partes sabem seus direitos e deveres e tudo segue de forma mais tranquila depois disso por um claro estabelecimento de papéis e responsabilidades.

O processo de design thinking tem seu método centrado no consumidor/paciente/usuário auxiliando o grupo executivo a inspirar curiosidade, a acelerar a inovação, a criar melhores soluções para os desafios de negócio e da sociedade.

As pessoas são encorajadas a praticarem sua curiosidade e serem questionadoras na fase de inspiração do método (a primeira fase). Isso ocorre através de um campo bem planejado, uma entrevista etnográfica corretamente realizada, um desk research em indústrias análogas facilitando e promovendo a curiosidade do grupo encarregado da tarefa, ajudando-os a entender melhor o desafio e gerando insights. 

Aqui cabe uma reflexão, os líderes precisam criar oportunidades para seus funcionários coletarem informações; um cliente que atendi disse que adorava  Design Thinking, mas não gostaria de que o grupo designado para realizar o planejamento estratégico tivesse contato direto com seus clientes. Aí você imagina, é caso de divórcio.

Meu conselho foi então seguir por um outro método de planejamento estratégico que não fosse baseado em Design Thinking, pois nesse método é essencial ganhar a perspectiva na qual eles possam entender as necessidades dos clientes e outros stakeholders-chave. A soluções resultantes do processo de Design Thinking devem atender essas três dimensões: desejável, factível e viável. Começamos sempre pelo o que seria uma solução desejável em resposta ao desafio proposto e só descobrimos o que é desejável em contato com o nosso público alvo.

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Lembre-se essa fase começa com um bom desafio. E quais são as características de um bom desafio?

  • Não muito amplo e nem muito estreito
  • Centrado no usuário
  • Começa por: “como nós poderíamos….”
  • Conecta os esforços de inovação com a estratégia da organização
  • Direciona a busca de ideias
  • Foca esforços em temas relevantes

O planejamento estratégico geralmente terá 2 macro-pilares: 1o. geração de receitas e 2o. redução de custos. Esses macro-pilares serão divididos em desafios. E minha recomendação é que para cada um desses desafios haja um grupo de pessoas que aprofunde o entendimento do mesmo. Ainda assim, geralmente um grande desafio de design thinking tem múltiplos sub-desafios que transformam insights em áreas específicas de oportunidades. Abaixo compartilho um exemplo:

O desafio de Design

Como podermos usar o blockchain para transformar a transação de informações?

Possíveis sub-desafios

  1. Como podemos usar o blockchain para agilizar a transação de informações entre clientes B2B?
  2. Como podemos usar o blockchain para assegurar a transação de informações em smart contracts?
  3. Como podemos usar o blockchain para garantir a acuracidade das transações entre clientes B2B2C?

Esses desafios serão levados para a fase de inspiração que quando bem trabalhada gerará uma série de insights. Abaixo um exemplo de um insight que poderia ser resultado da fase Inspiração sobre Blockchain.

O Insight

“As pessoas são motivadas para agir em redes para garantir a estabilidade do sistema financeiro internacional, não apenas para receberem uma retribuição financeira.”

Nessa fase o grupo procurará por bons insights que são definidos por serem:

  • Autênticos – É suportado pelas observações que você fez.
  • Não-óbvios – É a novidade que você traz, não algo que você pensa imediatamente quando descreve algum tema.
  • Reveladores – Oferece um vislumbre de como as pessoas pensam ou sentem.

É bem provável que quando o campo terminar você tenha um maior entendimento do desafio proposto e precise fazer um pequeno ajuste ou reenquadrar.

Reenquadrar uma oportunidade específica

Como poderíamos ajudar a pessoas a melhor utilizarem o blockchain no setor financeiro no Brasil?

A fase que se segue (ideação), nos leva a pensar fora do seu ambiente normal e explorar oportunidades relevantes para o nosso usuário.

Para a fase de ideação há uma série de métodos que podem ser utilizados. Sendo o mais comum deles o Brainstroming. Veja um vídeo muito interessante criado pela IDEO, papas do Design Thinking, sobre o tema:

#dica: lembre-se nessa fase de gerar o máximo de ideias.

Nessa fase na Innoscience gostamos de usar o Innovation Storming.

O Innovation Storming é uma ferramenta para apoiar as dinâmicas de identificação de oportunidades e futuras inovações que podem ser induzidas através de insights de diferentes setores. Surgiu com o propósito de auxiliar os processos de ideação e brainstorming na busca por inovações. Ele funciona como um catalisador de novas ideias.

As Cartas de Inspiração estão intimamente ligados ao Radar da Inovação, sendo  classificados com base nas 12 dimensões onde  a inovação pode acontecer.

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Saiba mais sobre nossa ferramenta exclusiva aqui: http://www.innoscience.com.br/innovation-storming-pocket/

Depois que você usar o Innovation Storming você terá um portfolio de ideias.  O que nos leva a questão do que é uma boa ideia?

  • Inspiradora – Ela ideia deve ser nova, entusiasmante e fácil de entender por alguém que não é expert do tema.
  • Conectada – Sua ideia deve atender uma necessidade e resolver um problema real
  • Relevante – sua ideia deve ser relevante para o desafio proposto

#dica – além de gerar ideias é importante que as pessoas aprendam a reconhecer boas ideais. Os dois papéis são importantes. Estimule no grupo os dois comportamentos.

Findada a fase ideação passamos para a parte de experimentação.

Um bom jeito de iniciar essa fase é desenhando as ideias num story board. Isso vai ajudar a encaminhar as ideias para conceitos.

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Geralmente nessa fase é que se conclui o planejamento estratégico com um portfolio de ideias que virarão projetos. Durantes os próximos períodos os grupos dedicados para desenvolver o tema passarão por um processo de aprofundamento da ideia que pode ser complexo e logo, por isso, na Innoscience criamos o Innovation Business Plan.

De acordo com Christensen 95% das ideias originais são modificadas no processo e por isso essa ultima fase é focada nos experimentos para aprender mais sobre a idéia.

O Innovation Business Plan auxilia em 9 passos concatenados o desenvolvimento de uma ideia inovadora a projetos prontos para serem testados, experimentados e executados.

#dica – a fase de experimentos tem como mantra falhar cedo para ter sucesso antes.

Os experimentos, o equivalente ao test-drive do casamento – morar junto –  ajudam a manter as ideias vivas, especialmente em organizações resistentes à mudança. Eles nos ajudam a responder a perguntas específicas a fim de evoluir significativamente ideias, diminuindo as incertezas e riscos e por isso aumentando a chance de aprovação destas. Quantos noivados não foram desfeitos depois de um teste drive?

Antes de você dedicar muito tempo e recurso para as ideias, crie e rode experimentos que ajudarão a aprender sobre sua ideia.

Pense em experimentos que ajudem a responder perguntas, como por exemplo, sobre se as pessoas vão mudar ou não seu comportamento de modo a sua ideia ter sucesso?

Um experimento de sucesso tem que ter as seguintes 3 características:

  1. Baixo risco – conduzido numa audiência de baixo risco, com baixo custo, como referencia usamos 100 reais
  2. Rápido e fácil – fácil de construir e de rodar. Até uma hora para fazer o setup e rodar.
  3. Gerador – focado em gerar inputs que ajudarão você a evoluir a ideia.

O principal foco dos experimentos é testar se o projeto é desejável para o público alvo. Nessa fase muitos experimentos podem ser necessários. Assim que o projeto apresente um cenário promissor a ideia passará por uma fase de estudo de viabilidade que geralmente tende a seguir métodos usuais de um planejamento da companhia.

Viu que casamento bonito o do Design Thinking com o Planejamento Estratégico?

Quer saber mais sobre o tema? Mande suas dúvidas e perguntas que respondo em um próximo post!

Carolina Wosiack