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Minha história: e o que eu aprendi na mentoria do Innovativa

Por

Innoscience

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Nem todo mundo sabe mas venho de uma família de empreendedores. Do tempo em que empreender não era cool como hoje em dia. Na época que saí da faculdade de administração de empresas era bem arriscado você abrir sua própria empresa e muita gente só fazia se não tivesse opção de uma empresa em uma corporação.

Aos 19 anos eu precisava empreender por causa de uma situação familiar. É óbvio eu tinha outras alternativas (emprego numa vídeo locadora?, estagiária numa empresa local?). Para mim a que pareceu mais óbvia foi juntar alguns recursos que tínhamos disponíveis (conhecimento, relacionamento com pessoas chave e um casa da família) para montar um negócio.

Plano de negócio? No segundo ano da escola de administração e tendo uma família de empreendedores eu achava que eu tinha tudo o que eu precisava. Montamos a empresa. Abrimos as portas. E daí aconteceu tudo o que é tipo de coisa que você pode imaginar.

Clientes não vêm, como faço um balanço (só tinha feito introdução a contabilidade), preciso demitir a secretária que recém contratei porque ela tem medo de falar ao telefone. O que você conseguir imaginar, a gente passou. Foram dois anos até que a empresa começou a se sustentar financeiramente. Daí a sócia que trazia mais volume de negócios decidiu sair da empresa. Reestruturamos, fomos para uma garagem e não mais para uma casa e o negócio continuo por mais 6 anos. Nada mal para o primeiro negócio. Mas o custo de aprendizagem emocional foi muito alto.

Eu tomei uma decisão, quando saísse da escola de administração eu iria para uma empresa. A minha tinha sobrevivido, mas já tinha histórico de falência na família, em que eu por falta de capacidade e conhecimento ( além de ter acabado de sair da adolescência), não pude fazer nada. Iria para uma grande corporação, de preferência multinacional. E com 3 objetivos claros: 1) aprender com os melhores sobre negócios; 2) criar minha rede de relacionamentos; e 3) capitalizar.

Fui trainee, especialista, gerente e officer. Estabeleci funções, trabalhei em vários países. Enfim, chegou o momento que alguns diriam “ótimo, você é reconhecida e agora é só capitalizar em cima do que você construiu em 13 anos”. Mas….sabe aquele sentimento, aquele chamado que você tem na vida? De que você precisa fazer algo diferente? Ele foi ficando forte e cada vez mais latente em mim.

Comprei uma franquia com minha mãe e uma amiga. Logo compramos a segunda. Modelos de negócios vinham em minha mente o tempo todo. Comecei a aplicar ferramentas de inovação para testar minhas hipóteses. Estruturei propostas de valor para clientes. Fiz escolhas e segui adiante. Hoje estou com duas startups em andamento e mais três outras na gaveta.

Quando faço mentoria no Innovativa acho que posso ajudar. Aprendi coisas na minha caminhada, conheci pessoas. Hoje, como consultora, ajudo empresas a inovar, a empreender, a crescer. Tudo o que aprendi através do trabalho e também dos estudos.

Mas, o mais interessante para mim foi entender que quando você faz uma mentoria, seu mentorado te desafia. Faz com que você pense mais sobre os próprios modelos. Se questione. Te provoque intelectualmente. Faça com que você lembre de histórias.

Lembrando de histórias, lembrei da minha. E o que começou com um pensamento –  “será que perdi tempo demais no mundo executivo” – tornou-se num sentimento de gratidão com todos que aprendi e passaram pela minha história. Porque eles me tornaram uma profissional mais completa e mais humana.

Hoje sinto que quando mentoro alguém, sou mentorada também. E eu só tenho a agradecer.

 

Carol Wosiack

* Partner da Innoscience e mentora do Programa InovAtiva Brasil há 1 ano.