mit

MIT Latin American Conference: Highlights de Inovação e Empreendedorismo no Brasil

Por

Innoscience

dia de de

No inverno a temperatura em Boston deixa o frio de Gramado no Rio Grande do Sul parecendo calor. Ao menos parece que o frio acachapante da cidade clarifica nossas ideias.Cheguei em Boston para participar como jurado da competição de startups e palestrante da Sloan School, a escola do negócios do MIT. O frio de – 2 c fez necessária a imediata aquisição de um gorro e uma luva. Já no dia seguinte, a temperatura foi a -12c. 

Os pitchs das 10 startups selecionadas foram pra aquecer o frio que fazia lá fora. As 3 melhores na avaliação dos juízes fartam o pitch no dia seguinte em busca de um premio em dinheiro durante a conferência. Após intenso dia de trabalho cheguei no hotel e ainda fui trabalhar na minha apresentação. Havia feito uma pesquisa no Linkedin e Facebook sobre os principais desafios de empreender no Brasil e queria compartilhar os resultados com o público do MIT.

Mas cá entre nós, o que eu iria dizer sobre inovação e empreendedorismo pra universidade que tem 3,5 mi de empresas oriundas de seus alunos funcionando ao redor do mundo e que o faturamento somado das mesmas a fariam a 13a economia do mundo?

A resposta dos amigos Brasileiros a minha pesquisa havia sido quase unanime: o nosso maior problema é o governo. Ok, não dava pra chegar lá e dizer simplesmente isso.

– O Brasil tem muitos problemas e por consequencia oportunidades

O Brasil vive um momento político e econômico muito desafiador. Inflação, crescimento negativo do PIB e alto desemprego. Mesmo com jogos Olímpicos e Copa do Mundo enfrentamos gigantes problemas sociais como:

  • 13 milhões de analfabetos
  • 3 milhões de pessoas que deixaram planos de saúde nos últimos anos
  • Mais gente morrendo de acidente de carro do que de câncer
  • 7 milhões de pessoas sem ter o que comer
  • 60 mil homicídios em 2014

O interessante é que esses problemas são a matéria prima para os inovadores. E nós só iremos resolve-los com tecnologia e empreendedorismo, e não com ajuda do governo. Mas eles não foram lá me ouvir falar de cenários, afinal o Prof. Roberto Rigobon que dá aula no MBA falaria depois de mim sobre conjuntura da AL.

– Há noticias negativas que não podem ser escondidas

Então tive que dizer que em termos de inovação estamos atrás do Kuwait em 69o lugar no Ranking Global de inovação. Que mesmo com más decisões econômicas não resolvemos o maior deles: o custo Brasil e a dificuldade de operar por aqui. Relatei que leva mais de 80 dias pra abrir uma empresa e, sabe-se lá, quantos pra fechar. Contei que  boa parte das universidades ainda tem pouca conexão com negócios. No MIT os professores são empreendedores, advisors e conselheiros de startups. Também fui sincero que ainda estamos fazendo muito “copiar e colar” de APPs americanos e tropicalizando pra cá. E que ainda que haja bastante dinheiro pra empresas iniciais em aceleradoras  e incubadoras, faltam cheques de 10 a 20 mi de dólares por aqui. Ok, mas nem tudo são espinhos nesse cenário frio.

– Mas há muitas boas noticias que precisam ser compartilhadas

Contei pra eles que temos mais de 100 firmas de VC e PE operando aqui. Que temos 40 aceleradoras,  dezenas de incubadoras e nunca estivemos tão perto de ter a cadeia do VC completa no Brasil. Ainda relatei que mesmo o termo Emprendedorismo não estando em nosso dicionário 15 anos atrás, atualmente, 34 a cada 100 pessoas estão tocando negócios ou envolvidas em montar contra 23 em 100 10 anos atrás.

Apresentei o lado bom do jeitinho brasileiro. Disse que somos criativos, resilientes e adaptativos. Lembrei eles que nosso mercado consumidor é gigante e que dá pra fazer uma baita empresa só no Brasil. Disse pra eles que tem muita startup de fintech, agritech, edtech, digital health crescendo no Brasil. Não deixei-os esquecer que somos 100 mi de pessoas online e outros 100 mi pra ficar. Que mal ou bem estamos sempre online tendo mais celular do que habitantes e que o pessoal adora uma rede social. Contei pra eles da nova regulamentação do investimento anjo e o crescimento acelerado de conexão de grandes empresas com startups.

Por fim, apresentei a eles 4 casos: Nubank, RD Station, Viva Real, Movile

Pra fechar convidei a todos a virem nos ajudar com esses problemas. Sem gente boa não tem como. E disse pra eles que o MIT precisa se conectar mais ao Brasil pois pra galera aqui no Brasil inovação é coisa do Silicon Valley.

E ai, curtiu o que eu contei? Achou negativo? Muito otimista? Só sei que a neve não parou até a hora que eu fui embora. Quase gripado mas com a sensação de missão cumprida.

P.S – as 3 startups finalistas foram NecessitoDoc, Ecoplaso e a campeã, Pathogen