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Mitos e verdades sobre a relação de grandes empresas e startups

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Innoscience

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A grande empresa quer ser startup e a startup quer ser grande empresa; quais são as verdades sobre esse novo mundo que se desenha?

No ambiente de negócios, diferente da medicina, há uma tendência de se generalizar remédios para todas as situações sem, antes de entender a patologia. Com o tema de Conexão de Corporações e Startups (CCS) está acontecendo exatamente isso. Discute-se o programa de aceleração antes de identificar a estratégia. Pior do que isso, há ainda aqueles que prescrevam que as grandes empresas tem que virar startups. Para jogar luz nesse debate cabe um importante alinhamento inicial: 

Não importa se você é pequeno ou grande, quem não inova fica pelo caminho

O S&P 500 deve substituir 50% das maiores empresas dos EUA nos próximos 10 anos. Nos últimos anos, saíram do índice empresas como Palm, Compaq, Kodak, Bear Sterns, Circuit City e outros líderes. 

Os inovadores performam melhor

Há uma correlação entre inovação e desempenho financeiro superior. A Innoscience formou uma carteira de ações das empresas mais inovadoras do Brasil com performance 2X superior ao Ibovespa em 6 anos. 

A startup aumenta em 10X sua chance de desbancar o líder quando introduz inovações disruptivas

As evidências indicam que é quase impossível a startup ganhar o jogo competindo onde a grande empresa se sente confortável. 

Os projetos inovadores em grandes empresas fracassam

Sim, a taxa de fracasso de inovação nas empresas estabelecidas varia de 70% a 90% falham e não geram resultado. 

A taxa de sucesso das startups também não é boa

90% não executam seu plano de negócios ou sequer chegam ao mercado. Segundo um VC com quem tenho relacionamento, apenas 0,25% do seu portifolio tem efetivamente grande sucesso e deve pagar os fracassos e garantir o retorno do investimento.

Enfim amigos, quem inova se dá bem. Quem não inova patina. Inovar é muito importante mas difícil de acertar! Isso é realidade para grandes empresas, startups, scaleups ou quem quer que seja. Dito isso, é possível discorrer sobre como corporações e startups enfrentam contextos distintos e precisam adotar práticas de gestão adequadas a essas realidades.

A solução é compreender o contexto

Vivemos uma situação intrigante. A grande empresa quer ser startup (sem saber que muitas não tem produto, clientes ou modelo de negócios). A startup quer ser grande empresa, forte, com clientes fiéis, processos estruturados e resultados consistentes.  Interessante não? O problema é que tratar a inovação nesses contextos de maneira uniforme não colabora para vencer a estatística desafiadora apresentada.

As práticas de gestão ensinadas na maioria das escolas de negócio são aquelas desenvolvidas para o contexto da grande empresa. Foram as próprias grandes empresas que, no início do século passado, exigiram soluções para aumentar a eficiência de seus profissionais nas linhas de montagem, força de vendas e marketing junto as instituições de ensino como MIT e Harvard. As ferramentas, por consequência, são destinadas ao contexto de negócio maduro.

Denominemos essa de abordagem tradicional. Sua essência consiste em prover formas de ampliar produtividade, reduzir desperdício, evitar variabilidade e transformar o trabalho rotineiro em previsível para suportar o ganho de escala em operações industriais ou de serviços. Esses eram os desafios centrais daqueles que precisavam de gestão anos atrás. Essas ferramentas tem ótimo resultado quando aplicadas nesse contexto. Não se esqueça disso. Ferramenta segue contexto.

O que ocorreu nos últimos 20 anos? Mais e mais grandes empresas passaram a enfrentar um contexto distinto. Complementar porém distinto. A globalização, aumento da disponibilidade de capital e a revolução tecnológica ampliaram a oferta de produtos e serviços e viabilizaram formas absolutamente novas de realizar as atividades necessárias para tais ofertas. O contexto passou a ser incerto, ambíguo e complexo. Imprevisível. A abordagem de gestão precisou ser refinada.

Uma gama startups foi forjada em ecossistemas de inovação mundo afora para aproveitar e vencer nesse cenário usando outras ferramentas. As grandes empresas passaram a ser pressionadas para reinventar-se sob a ameaça de perderem relevância. O que fazer? A abordagem de gestão que melhor se adequa ao incerto e imprevisível, esteja você numa startup ou num projeto de inovação dentro de uma grande empresa é a abordagem empreendedora. A abordagem empreendedora é marcada pela experimentação, teste de hipótese, descoberta. A essência dessa abordagem é obter desempenho quando você não tem todas as variáveis de antemão. 

O grande problema ocorre quando um ou outro quer usar uma abordagem sem entender qual o seu contexto. A startup que encontra-se na fase de scaleup já tendo validado seu negócio e que precise crescer e estabilizar a operação existente tenderá a obter melhores resultados com a abordagem tradicional. A grande empresa que objetivar lançar um novo modelo de negócio atingirá melhores resultados adotando os preceitos e ferramentas da abordagem empreendedora.

O segredo não é saber quem você é, se grande empresa ou startup mas qual contexto você enfrenta. A prescrição de que toda estrutura da grande empresa deve adotar as ferramentas de startup é absurda, sem sentido e coloca em risco operações que demanda previsibilidade e rotina.

Inovar não é fácil. A grande empresa e a startup enfrentam barreiras a inovação.  O pior caminho para obter bons resultados é desconsiderar sua realidade. O melhor caminho é, disciplinadamente, usar o remédio adequado para cada situação. Como até o momento, corporações tem maior domínio da abordagem tradicional e as startups vivência com a abordagem empreendedora, há uma oportunidade gigantesca de colaborarem. Há diversos métodos e formatos para essa conexão. No próximo post vou compartilhar com vocês nossa experiência no tema, benefícios e barreiras.

Até a próxima inovação!

Maximiliano Carlomagno

Artigo originalmente postado em Startse