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Não é qualquer inovação que promove crescimento

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Innoscience

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Essa semana tive a oportunidade de assistir ao vivo o maior guru da atualidade quando falamos em inovação: Clayton Christensen. Quem já teve algum contato com o tema deve ter ouvido a expressão inovação disruptiva. Pois o criador dessa teoria esteve palestrando sobre estratégia e crescimento no auditório principal da Expo Management promovido pela HSM.

Christensen é professor de Harvard e já escreveu diversos livros sobre inovação. Curiosamente o primeiro que li especificamente sobre o tema, no início dos anos 2000 foi justamente dele. De lá para cá acompanho de perto suas ideias e utilizo muitos conceitos criados por ele no meu trabalho como consultor e professor.

No mundo corporativo muitas vezes as teorias são vistas com certo preconceito mas é preciso ter em perspectiva que muitas vezes uma boa teoria de gestão pode explicar ou resolver os problemas que vivemos nas organizações. Vejamos o que Christensen trouxe na sua palestra.

Atualmente ele vem trabalhando na construção de uma teoria que possa explicar o crescimento dos negócios e setores. Como não poderia ser diferente, a resposta passa pela inovação mas, segundo ele, é preciso separar os tipos de inovação para explicar melhor o fenômeno.

A chave dessa questão está em três tipos distintos de inovações: de eficiência, sustentada e disruptiva. Cada tipo tem um papel e consequências distintas na economia.

Inovação de Eficiência – são as que visam a redução de custos através da eficiência operacional. Elas tem como consequência a eliminação de empregos e o aumento do caixa livre. As inovações de eficiência dão retorno rápido de 3 meses a 2 anos, não tem muito risco e o mercado já existe. As empresas fazem isso repetidamente em diferentes ciclos, especialmente porque as empresas são avaliadas por isso (indicadores financeiros).

Inovação Sustentada – são aquelas que visam aperfeiçoar os produtos para pelo menos manter as margens e competitividade. Elas mantém a economia funcionando, porém normalmente não geram crescimento ou empregos. Servem para manter o padrão de vendas.

Inovação Disruptiva – essas são as que transformam produtos caros em acessíveis. Ele citou o exemplo do Japão onde foram feitas várias inovações disruptivas como os carros Toyota, motos Honda, impressora Canon ou rádios portáteis Sony. Depois na década de 90 as empresas japonesas começaram a focar em inovação de eficiência. Para ele, a única inovação disruptiva nos anos 2000 vinda do Japão foi o Nintendo Wii.

Christensen defende que a inovação disruptiva é a que promove o crescimento do emprego, cria novos mercados, combate o não consumo, traduzindo em um efeito econômico multiplicador na cadeia.

Esse foco em inovação de eficiência acabou gerando uma abundância de capital nos países desenvolvidos. O custo do capital nesses países é muito barato porém há um problema de geração de emprego e crescimento real das economias.

Todos os três tipos são importantes porém é necessário que elas ocorram de forma complementar para realmente trazer crescimento para as empresas e países.

Para fechar, ele deixou dicas de como fazer a inovação disruptiva.

1. Levar tecnologia para tornar os serviços mais acessíveis – Ele citou o exemplo do sistema de saúde. Hospitais são caros, tem custo alto. Para diminuir precisamos levar tecnologia para clínicas. Depois colocar tecnologia para consultórios e até casas dos pacientes. A tecnologia precisa evoluir para o paciente ficar mais longe do hospital. O mesmo raciocínio vale para levar tecnologia para famílias, farmacêuticos, profissionais de enfermagem, médicos clínicos gerais, especialistas, etc…

2. Investir no não consumo – A inovação disruptiva combate o não consumo, ou seja, buscar viabilizar que pessoas que hoje não consomem os produtos ou serviços por alguma razão qualquer (preços, instrução, acesso, etc…) passem a ter alternativas viáveis. Ele trouxe o caso do Wizard de Carlos Martins que permitiu muitas pessoas acessar o ensino da língua inglesa.

3. Mudar a perspectiva de análise do problema ou oportunidade – O consumidor é a dimensão errada de análise. Você precisa entender qual o objetivo que está se fazendo aquilo. A partir da ir tentar tornar o produto mais simples, acessíveis e fácil de ser consumido.

Felipe Ost Scherer

 

Post originalmente publicado em Exame.com