O post de ouro da história da inovação

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Innoscience

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Tenho me dedicado nos últimos quinze anos para pesquisar e compartilhar ideias sobre inovação. Para colocar essas ideias em debate, resolvi escrever e disponibiliza-las para análise e discussão no Innoblog e no portal de inovação da 3M. Analisei a inovação sobre diferentes enfoques. Escrevi sobre os pensadores da inovação. São tantos autores que resolvi escalar o “time dos sonhos da inovação”. Abordei conceitos como a inovação de modelo de negócio, inovação disruptiva, blue ocean strategy, open innovation, design thinking e brainstorming. Me deu especial prazer cobrir os protagonistas: os inovadores. Aqueles caras que quebram as regras e obtém resultado superior sejam eles executivos, empreendedores, artistas ou esportistas. Fiz um post sobre o legado de Steve Jobs para a inovação e outro sobre Oscar Niemeyer. Relacionei o surf do campeão mundial Gabriel Medina com a gestão de projetos inovadores. Mostrei que para alguém derrotar o Barcelona era preciso inovação e que, a ausência dela, faz o ciclo de obsolescência ameaçar os vencedores como fez com a seleção espanhola de futebol na Copa do Mundo 2014. Gostei de aprender com os acertos e também com os erros daqueles que fizeram história.

Falando em história, nos últimos dias decidi reler o Livro de Ouro da História do Mundo de J.m Roberts. Um fantástico, consistente e bem escrito resumo da nossa história.Livro JM Num sábado a tarde de verão enquanto a Chiara, minha filha de quase 6 meses, dormia, aproveitei para seguir a leitura sem esquecer da inovação. Percebi que eu havia escrito sobre pessoas, conceitos e ferramentas de inovação mas não sobre a sua própria história. Decidi escrever, post inspirado no livro de J.m Roberts, o Post de ouro da História da inovação. Para facilitar a compreensão da história de inovação a dividi em 4 Grandes Eras. Períodos nos quais germinaram e consolidaram-se modelos de gestão da inovação, alguns deles até hoje executados. Antes disso, é preciso entender o escopo de análise:

A origem da inovação

A história da inovação se originou na própria busca do ser humano pela sobrevivência. O livro de J.m Roberts conta que ainda em Olduvai, de onde os teóricos entendem que surgiram nossos mais remotos antepassados, havia sinais de inovação com o desenvolvimento de artefatos para apoiar a busca por comida, o principal desafio da época. Alguns desafios da humanidade permanecem os mesmos enquanto que percebem-se outros são novos. De lá para cá, a história das civilizações foi marcada por inovações que melhor resolvessem tais desafios. A escrita, o fogo, a pólvora, o motor a vapor, a lâmpada ou, mais recentemente, a internet são alguns desses marcos. Nesse retrato da história de ouro da inovação o meu foco é na inovação de negócios, business innovation diriam os experts gringos. Por que? Algumas das invenções que transformaram a forma como vivemos foram produto ou catalisadores da formação de novas empresas e novos negócios. Entender essas 4 Grandes Eras pode permitir antecipar tendências futuras e desenvolver o seu próprio modelo de inovação.

O austríaco Joseph Schumpeter foi o responsável por iniciar a reflexão sobre inovação, tanto em nível macroeconômico quanto empresarial. Schumpeter era um austríaco-americano, economista e cientista político que foi ministro das finanças da Austria em 1919. Se não bastasse isso, anos mais tarde, em 1932, tornou-se professor na universidade de Harvard onde permaneceu até o final de sua carreira. Schumpeter se notabilizou pelo conceito de “destruição criativa” no qual defendia o papel da inovação e do empreendedor no desenvolvimento econômico e no fortalecimento das empresas. Suas ideias influenciaram decisivamente as 4 Grandes Eras da História da Inovação.

A Era do gênio inventor

O início do século passado foi dominado pelo modelo de inovação baseado no Gênio Inventor. Pessoas técnicas ou empreendedores como Thomas Edison, Santos Dumont, Henry Ford e tantos outros. Thomas Edison era um inventor, registrou 2.332 patentes e um homem de negócios. Entre as suas contribuições mais universais para o desenvolvimento tecnológico e científico encontram-se a lâmpada elétrica incandescente, o gramofone, o cinescópio, o ditafone e o microfone de grânulos de carvão para o telefone. Edison é um dos precursores da revolução tecnológica do século XX. Teve também um papel determinante na indústria do cinema. A General Eletric, até hoje uma das maiores empresas do mundo, foi decorrência de seu perfil inovador. Esse modelo é marcado por expoentes recentes como Branson, Jobs ou Elon Musk e inspirações mais longínquas no Renascentismo a partir de ícones como Michelangelo e Da Vinci.

A Era dos centros de P&D

O segundo capítulo dessa história marcou a figura dos centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). O PARC da Xerox de onde saíram algumas das maiores inovações como a interface gráfica, o computador pessoal, a programação orientada a objeto, a impressão a laser ou o protocolo Ethernet. Papel semelhante teve o Bells Lab da AT&T, tendo desenvolvido cabos de telefone, transístores, LEDs, lasers, a linguagem de programação C e o sistema operativo Unix. Estruturas organizadas de geração e desenvolvimento de invenções. Equipes técnicas. Desafios técnicos. O modelo é baseado na busca de patentes como barreira de imitação para manutenção de monopólios de longo prazo. Essa alternativa foi adotada por empresas de tecnologia, indústrias farmacêuticas, químicas entre outras que emergiram competitivas nessa circunstâncias. Ainda hoje, há indústrias e empresas que fazem pesados investimentos em P&D ainda que haja consenso de que não existe correlação direta entre o investimento em pesquisa e desenvolvimento e os resultados de inovação.

A Era do capital de risco e startups

Para contra-atacar tais estruturas, em meados dos anos 70, fortaleceram-se os Capitalistas de risco e os Ecossistemas de inovação. Stanford e MIT atuando como hubs dos dois principais clusters de inovação no, Vale do Silício e em Boston, respectivamente. Nesse período, Sequioa Capital e Kleiner, Perkins foram alguns dos principais catalisadores dessa transformação atuando como capitalistas de risco de empresas de novas tecnologias. Desse modelo emanaram empresas como Intel, Apple e, mais recentemente, Google, Facebook, Linkedin e WhatsApp. Foram caras como Jim Goetz, Marc Andreessen e Peter Thiel, os líderes de VC’s que vem mudando o ambiente de negócios. Tive a oportunidade de vivenciar parte do fantástico modelo de Boston e aprendi a relevância dessa conexão universidade-empresas- empreendedores-capital de risco dentro de um contexto de regras claras e estáveis. Nessa época, grandes empresas acuadas acreditavam que inovação era exclusividade de startups.

A Era da inovação corporativa

A última fase da história da inovação empresarial marca a ascensão de um novo formato. Não mais dependente de um gênio inventor ou de uma estrutura de técnicos em uma unidade de pesquisa e desenvolvimento. A Era da inovação aberta, co-criação e crowdsourcing. Da inovação além do produto. Do foco do modelo de negócio. Empresas como a Procter&Gamble, Natura, Nestlé, Tecnisa, Embraer, 3M e outras simbolizam esse modelo. Grandes empresas que, a partir de uma noção ampliada da inovação, buscam além de suas fronteiras internas algo mais do que um novo produto. Empresas conectadas em redes de inovação colaborando com clientes, fornecedores, universidades, parceiros e até startups. A quarta Era da inovação também marca o surgimento de brokers de inovação como Innocentive e Nine-Sigma que aproximam grandes empresas (seekers) que buscam solucionar desafios técnicos e de negócios com pesquisadores autônomos (solvers) por meio de plataformas de colaboração via internet. A inovação volta a fazer parte da agenda de grandes corporações com novo enfoque.

A história da humanidade é povoada de inovações. Em termos de business innovation as quatro Eras apresentadas sintetizam essa trajetória. Sem dúvida nenhuma, há aprendizados muito ricos que cada um desses períodos deixou para quem quer inovar. Fica a dúvida: Qual será a próxima Era?

Enquanto isso vou ler mais sobre a história do mundo para ver se há novos insights.

Até a próxima inovação

Maximiliano Selistre Carlomagno