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O que eu aprendi sobre cultura de inovação com um Googler

Por

Innoscience

dia de de

Lembro de uma vez que uma gestora querendo me elogiar por ser inovadora me disse: “Você deveria trabalhar no Google”.

A fama dessa Tech Star é tão grande que muitas empresas, com produtos de potencial inovador tão relevantes ou mais em seus segmentos são ofuscadas pela gigante. Ouvindo uma palestra de um executivo da Google, na verdade o grupo agora se chama Alphabet, há alguns dias atrás ficou claro que o que a mantém como empresa inovadora, não é apenas a série de produtos e serviços que lança com frequência, mas sim a cultura da organização. Gostaria de compartilhar alguns pontos que mais me chamaram a atenção no discurso do Googler:

 

  • Potencial de inovação da organização é = ao potencial de crentes em inovação e pessoas dispostas a apoiá-los dividido pelo número de descrentes. Faça as contas da sua organização.
  • Errar é um ponto positivo dentro da empresa, desde que existam lições aprendidas. Não cometa o mesmo erro duas vezes. Há vários insucessos públicos do Google – veja abaixo uma foto do cemitério do Google. Vários produtos lançados que não tiveram o êxito esperado: alguns viveram anos e até prosperaram por um tempo, outros tiveram vida curta. Tão sábio quanto saber quando começar é saber quando parar: Googleglass – foi uma invenção que não teve uma aplicação prática em larga escala que a justificasse. Por isso, esteja aberto a correr riscos controlados: “never fail to fail”
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Fonte: http://www.slate.com/

  • Saber o que fazer é tão importante quanto saber o que não fazer. Uma empresa não passa facilmente de um produto de busca lançado em 1998 para mais de 100 produtos em 2016, sendo que destes 7 os produtos acima de 1 bilhão de usuários (Gmail, Android, Chrome, Maps, Search, Youtube e Google Play Store).
  • Maturidade da inovação – é um índice a ser trabalhando ao longo dos anos, adotando práticas pequenas, médias e grandes para a organização se sentir aos poucos confortável em cada estágio de maturidade de inovação, começa por aperfeiçoar alguma coisa no negócio de hoje até passar para pensar fora da caixa. No caso do Google, o core da empresa – buscador e produtos relacionados dominam 70% do portfolio da empresa. Porém 20% dos demais produtos são adjacentes e 10% são novos negócios e conceitos disruptivos. Estes são chamado de Moonshot. Os Moonshot são projetos que trabalham com a lógica de aperfeiçoar em 10 x e não em 10 %: são exemplos de pensamento e aplicação na prática da disrupção. Um dos projetos que me pareceu mais interessante foi a distribuição de internet em zonas remotas através de balão. Veja outros projetos aqui.
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  • 20% – Funcionários podem utilizar 20% do seu tempo para gerar inovação. O gmail foi criado a partir de um projeto 20% de um funcionário.
  • Significado do trabalho – criar um sentido maior que o próprio trabalho – todo Googler acredita que está ajudando o mundo de uma maneira ou outra. Contribuir para o bem do mundo é o motor da organização.
  • AREA 120 – você acredita que uma empresa como o Google não precisa de incubadoras e aceleradoras? Aí que se engana, a Area 120 é a incubadora interna do Google. Durante 6 meses o Google fornece tudo o que o funcionário precisa para desenvolver uma ideia. É uma alternativa intensiva a dedicar 20% de sua semana a um projeto que você acredite que faça sentido para a empresa.
  • Cafés renascentistas que sabidamente geravam encontro de pessoas e discussão de ideias foram as inspirações para os espaços da companhia criados para colaboração: inclusive no almoço, a refeição é feita em mesas coletivas e cumpridas para fomentar a colaboração.
  • Construa o time correto para ter sucesso em inovação. Depois de um tempo o Google descobriu que não era suficiente juntar numa mesma sala os melhores desenvolvedores técnicos de cada especialidade para gerar inovação. Era preciso considerar as diferentes formas de inovar. Quer saber qual a sua? Faça o nosso teste gratuito aqui. (http://www.innoscience.com.br/ipi-indicador-de-potencial-inovador/
  • Contexto favorável – além disso para ter sucesso na gestão de um time inovador é preciso: prover segurança psicológica, confiança na capacidade de inovar da equipe, criar uma boa estrutura de apoio administrativo e logístico, garantir clareza, significado do trabalho e impacto do trabalho no mundo.
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  • Foco, foco e foco – também no Google a dica é iniciar seus esforços de inovação com foco no usuário. Observe o cliente, aproxime-se, colete histórias, sentimentos e emoções. Identifique o desafio correto. O mantra é: foque no usuário e tudo mais irá se resolver. Não quer dizer ouvir cegamente o usuário. Lembra da história do Henry Ford? Se ele tivesse apenas ouvido o consumidor, ele teria criado uma carruagem com mais cavalos e não um carro.
  • Prototipe e muito. O primeiro protótipo do Google glass levou 90 minutos para ser criado. Os experimentos servem para coletar dados e fugir das opiniões. Todo produto que se na lança no Google segue as seguintes fases: testar, coletar, analisar e ajustar.
  • Coloque seus esforços em oportunidades que valem a pena. Princípios para decisão de oportunidades no portfolio de conceitos apresentados: 1o. as pessoas tem que usar pelo menos duas vezes por dia (criar cultura de uso – tipo escova de dentes) e 2o. tem que beneficiar o maior número de usuários, idealmente pelo menos 1 bilhão.

E você o que faz em sua organização para potencializar a inovação?

Para saber mais:

Carolina Wosiack