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Um clube de futebol profissional com filosofia de startup

Por

Innoscience

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Para nós brasileiros, acostumados com clubes de futebol centenários e conservadores, a proposta do San Francisco Deltas chama muita atenção.

Enquanto aqui valorizamos experiência e fórmulas que deram certo no passado como a melhor estratégia para o sucesso, os Deltas querem mudar a história do futebol com inovação, tecnologia e experiências únicas aos torcedores.

O clube que fará sua estreia oficial na NASL (North America Soccer League) na temporada de 2017 tem como valores principais a inovação, transparência e o espirito de comunidade. Cada um desses pilares tem como pano de fundo a visão de transformar e melhorar o futebol profissional no mundo.

A região escolhida não poderia ser melhor: um polo mundial de inovação. Nada no clube é convencional e muito inspirado nas inúmeras empresas de vizinhas do Vale do Silício. É uma startup do futebol, que utiliza os princípios e filosofias de empresas inovadoras do ramo de tecnologia.

Seu CEO, Brian Andrés Brian Helmick é um colombiano radicado no Estados Unidos. Ele fez mestrado em Stanford, trabalhou em Wall Street e foi empreendedor de uma startup de tecnologia que vendeu há dois anos atrás. De maneira geral toda equipe de colaboradores são jovens, assim como Andrés.

Ao conversar com Andrés é possível identificar a energia e entusiasmo de um empreendedor com sua startup. Ele explica que a ideia do clube veio da paixão pelo esporte e sobretudo a partir de uma análise da oportunidade que o esporte traz. Para ele, o futebol tem cara de “anos 90”, o que deixa oportunidade para mudanças radicais. Além disso, o mercado de esportes profissionais é enorme nos Estados Unidos (42 do 50 maiores times em valor do mundo, de qualquer modalidade, estão nos Estados Unidos, e, curiosamente, desses 42 nenhum é de futebol).

Se a proposta de valor está baseada na inovação, a escolha do local não poderia ser melhor. San Francisco reúne a maior concentração de startups de tecnologia de ponta do mundo. Andrés comenta que há tantas novas tecnologias disponíveis com parceiros dispostos a cooperar que precisa priorizar e estabelecer um roadmap de desenvolvimento.

“Que coisas vocês gostariam de fazer mas não encontraram alguém maluco suficiente para fazer? Quero ser esse parceiro!” Essa é a abordagem dos Deltas com as empresas de tecnologia da região. E aí vem uma mensagem sobre aceitação do risco e erro, algo incomum no futebol (pelo menos no Brasil).

Novamente a localização ajuda pois tem sido muito fácil a interação com essas empresas pois, como ele diz, estamos a poucas quadras um dos outros e totalmente abertos para coisas novas.

Segundo o CEO, não há problema com erros, desde que sejam novos erros:

“Temos uma mentalidade diferente, queremos que a inovação seja de todos dentro do negocio. Nossa ideia é que precisamos inovar o tempo o todo.”

Recentemente, ele falou para uma de suas colaboradoras: estou empolgado para ver seu primeiro erro. Depois do primeiro você fica mais tranquilo. Essa mentalidade permite você tomar mais risco. Com esse perfil de liderança ele quer criar um ambiente mais leve em que as pessoas tomam mais riscos para fazer coisas diferentes.

Nesse momento inicial do clube, as atenções dos projetos de inovação estão focados em três dimensões do negócio: ingressos, realidade virtual e alimentação no estádio.

Ingressos – Para Andrés, o modelo atual é muito conservador. Ingressos com inteligência artificial, não apenas permitirá escolher onde você senta mas com quem você senta. Numa cidade cosmopolita e de “estrangeiros” como San Francisco (40% da população não nasceu na cidade) é muito importante pois as pessoas que vão ao estádio poderão determinar parâmetros de localização como turistas, grupos de empresas, espaço família, etc… A segmentação dos locais não será por preço exclusivamente mas por interesses e afinidades.

Realidade virtual – essa tecnologia está mudando muito rapidamente. Os Deltas irão utilizar isso para treinar atletas, como por exemplo o goleiro. Também poderão criar experiências únicas como colocar os fãs no vestiário. San Francisco é cidade do mundo com a maior concentração de early adopters, todos eles ávidos por novas experiências. O clube está em contato com o Virtual Human Interaction LAB de Universidade de Stanford para utilizar o que há de mais moderno nessa área.

Criar uma experiência totalmente novas, fazer o fã experimentar o dia a dia dos jogadores, o que foi o intervalo dos jogos no vestiário. Tudo isso está vinculado com o pilar TRANSPARÊNCIA. Quando o clube ainda não tinha mesas no escritório, já organizou um evento com os primeiros fãs. Diferentes dos times tradicionais, querem uma conexão direta com a torcida, e a tecnologia poderá ajudar nisso também.

Alimentação – O público americano adora os food trucks e os Deltas quere utilizar a tecnologia para dar poder aos torcedores. Emponderar o torcedor para tomar as decisões como quais trucks eles querem na região do estádio. Para Andrés, a experiência do futebol não é apenas número de gols ou vitórias, mas também as pessoas, os cheiros, a música e os momentos únicos que o esporte proporciona.

A liga pela qual o San Francisco Deltas vai atuar também poderá favorecer a estratégia inovadora do clube. Por ser mais jovem e menos regulada que a MLS, a NASL dá mais espaço para os clubes inovar nas experiências para os torcedores.

Os Deltas tem ambições não só de títulos mas também de deixar seu legado no futebol. Segundo Andrés estão também querendo romper o estereotipo do latino americano de não ser o inovador (o clube também conta com colaboradores e investidores brasileiros, destaque para Ricardo Stanford-Geromel, diretor de Relacionamento com a Comunidade). Eles querem mostrar que os latinos também podem deixar sua marca no Vale do Silício.

Como qualquer empresa ou projeto inovador, ele sabe que muitas ideias poderão não funcionar, mas segue otimista com os resultados que poderá alcançar:

“Seremos o incubador de tecnologias para o mundo. Queremos mudar o futebol. Quero compartilhar e melhorar o futebol mundial.” Assim Andrés finaliza a entrevista.

 

Felipe Ost Scherer

Artigo originalmente postado em Portal Exame